Testemunho de Fátima, diagnosticada aos 59 anos
“Não tenham medo.” É esta a mensagem que Fátima deixa a quem recebe um diagnóstico de cancro colorretal. Empregada de limpeza de profissão, Fátima partilha com a MovSaúde o seu testemunho sobre a importância de valorizar os sinais do corpo, a dureza da radioterapia e da quimioterapia, o carinho que encontrou no IPO do Porto e na Liga Portuguesa Contra o Cancro, e a forma como a doença a ensinou a cuidar de si.
Como descreve o momento em que recebeu o diagnóstico?
Quando recebi o diagnóstico, não tive medo. O que me assustou foi saber quanto tempo teria de parar para me tratar, pois não sabia o que me ia acontecer, porque nunca tinha estado de baixa. Esse foi o meu pânico: como é que eu ia pagar a casa ao banco? Aceitei bem o diagnóstico, porque sabia e sentia que algo no meu corpo não estava bem.
Quando fiz o exame (colonoscopia), antes de adormecer, disse à equipa: “Vejam bem onde está o mal, se é no estômago ou no intestino.” Quando acordei, vieram falar comigo para agir depressa, porque o tumor estava no esfíncter. Estava no estadio 1. Por isso, a médica de família encaminhou-me para o IPO do Porto, o melhor hospital para o cancro.
Hoje digo o que a Dra. Sónia Rego escreveu no seu livro: que sorte eu tive de ter cancro! Foi no IPO que conheci seres humanos fantásticos, que cuidam de nós com tanto carinho. Em primeiro lugar, agradeço a Deus por ver todos os profissionais daquele hospital a cuidarem de nós com tanto carinho. Um grande obrigada ao meu primeiro médico de cirurgia, o Dr. Licínio Rego, um grande senhor, que transmite coragem ao doente e cujo abraço nos faz descansar um pouco, passando-nos uma grande energia positiva. Por fim, agradeço à equipa de cirurgia do Dr. Lúcio Lara Santos e aos seus assistentes, a Dra. Mariana e o Dr. Luís Madureira. Foi Deus que cuidou de mim, através destes seres humanos fantásticos.
O que foi ou tem sido mais difícil ao longo da sua experiência com a doença? E o que a tem ajudado a lidar com esses momentos?
O mais difícil foram os tratamentos de radioterapia e quimioterapia, cinco semanas todos os dias. Suportei dores horríveis devido à radioterapia, que só aliviava com medicamentos. A cirurgia foi suportável. O mais doloroso eram as posições em que estávamos deitadas. Quem me tem ajudado sempre é a força de Deus em todos nós e os profissionais do IPO. Agora pertenço à Liga do IPO, que me tem ajudado com momentos fantásticos. A Dra. Luciana, com a sua equipa, a Helena e a Rute (auxiliar), ajuda-nos a esquecer os maus momentos quando o IPO nos chama para os exames de rotina.
Sente que a sua vida mudou desde o diagnóstico? De que forma?
Sim. No meu caso, mudou para melhor. Mudou pelo facto de conhecer pessoas fantásticas, que abraçam com carinho os doentes nas horas mais difíceis. Mudou porque trabalho menos horas para ter o convívio na Liga. Mudou porque estou perto de quem teme a morte. Estamos ali todos a passar positividade. Levei a minha vida a cuidar de todos. [Com o cancro] aprendi a cuidar de mim. Agora cuido bem de mim para ser feliz e para ajudar, com este ânimo, a cuidar da dor psicológica dos que estão perto. Por isso, mudou para melhor.
Gostaria de deixar uma mensagem a alguém que está a ler este testemunho?
Quando receberem o diagnóstico, não tenham medo. Encarem-no como um desafio. Deus está no controlo da nossa existência, pois todo o ser humano é criação das suas mãos. Já nascemos com hora e dia marcados para morrer. Pensem que a medicina está muito avançada e que Deus fará sempre o melhor por todos nós. Não temam a morte, porque o pânico e a ansiedade fazem muito mal ao doente oncológico. Pensem que, enquanto respiramos, estamos ainda de férias, e só Deus pode dar por terminada a nossa estadia nesta vida. Não tenham medo. Foquem-se sempre em Deus e nas melhores soluções que a medicina nos dá. Não tenham medo, pois só assim venceremos este grande desafio.
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