Ana Moura, 52 anos
Tinha 45 anos quando recebeu o diagnóstico de cancro colorretal. Aos 52, Ana Moura, funcionária pública, partilha com a MovSaúde um testemunho aberto e honesto sobre a doença. O momento em que recebeu o diagnóstico, os sintomas que desvalorizou e a importância de se falar mais sobre a doença.
O que a fez decidir procurar aconselhamento médico?
A deteção foi feita após uma colonoscopia de rotina, a primeira que fiz. Nunca tinha feito nenhum rastreio antes do diagnóstico.
Houve algum sintoma que desvalorizou no início e que hoje não ignoraria?
Desde sempre tive um funcionamento intestinal irregular e nunca valorizei.
Como descreve o momento em que recebeu o diagnóstico?
Senti medo e, ao mesmo tempo, determinação. Medo do futuro, da possibilidade de sofrer e, até, da morte. E determinação em iniciar as diligências para tentar curar-me.
Sente que a sua vida mudou muito desde o diagnóstico? De que forma?
Sim. Tenho desde sempre um funcionamento intestinal irregular, e nunca valorizei. Com o diagnóstico, passei a ter mais cuidado comigo própria, a priorizar-me. Estou lentamente a aprender a conviver com as sequelas das cirurgias.
Antes do seu diagnóstico, que ideias tinha sobre o cancro colorretal?
Não muitas. Conhecia em termos gerais pelo facto de ter familiares e amigos com esta patologia. Sabia que poderia ser cortado parte do intestino, ser colocado “o saquinho” (colostomia) e pouco mais.
Se pudesse dar um conselho a uma pessoa que acabou de receber um diagnóstico, qual seria?
O meu conselho seria: “Tenha calma. Informe-se bem, com bons profissionais, peça mais do que uma opinião médica para poder tomar as melhores decisões.”
O que gostaria de ter sabido antes do diagnóstico?
Gostava que existisse mais informação e conhecimento sobre as reais consequências e sequelas dos vários tratamentos.
Considera que o cancro colorretal é ainda um tabu? Se sim, porque acha que isso acontece? Que medidas poderiam ser tomadas para haver uma mudança?
Sim. É um cancro relacionado com os intestinos e as pessoas têm vergonha de falar sobre esse assunto. Não estão confortáveis em falar de trânsito intestinal, fezes, flatulência…
A principal medida seria mesmo essa: falar-se mais sobre o assunto. Nos meios de comunicação, nas instituições, entre a comunidade, para que este seja um tema conhecido, tal como é o cancro da mama.
Toda a gente conhece o “Outubro Rosa”, mas praticamente ninguém conhece o “Março Azul-Marinho”.
Gostaria de deixar uma mensagem a alguém que está a ler este testemunho?
A minha mensagem é a seguinte: ‘Opte por um estilo de vida saudável. Faça rastreios atempadamente - o diagnóstico precoce é fundamental. Cuide de si para que o seu corpo e a sua mente não se tornem terreno fértil para o desenvolvimento da doença. Mas, se ainda assim ela surgir, que estejam suficientemente fortes para lidar com ela.’